Segunda-feira é sempre a mesma coisa. A lentidão encostada ao nosso lado dando todos os motivos plausíveis possíveis para não funcionarmos direito. Um marasmo acentuado pelo calor visceral que só uma segunda-feira pode ter. Nada de desanimo. Segunda-feira é o cão. O sono perdido num labirinto, e você tentando não socar seu nariz na parede. Meio-dia e a gente tentando despregar os cantos dos olhos. E não adianta tentar mudar esta rotina das segundas. O monótono sempre retorna revigorado. Já tentei, por exemplo, mudar todo o cronograma das segundas, nunca funciona. Alias, funciona, mas somente nos primeiros minutos deste dia de sono profundo. Tentei não tomar café na segunda pela manhã, achando que estaria acentuando com a cafeína os meus dormentes neurônios, que estaria acelerando-os e que eles não estavam preparados para um tranco amargo e seco logo nos primeiros momentos da semana. Engano em forma de café torrado. E prometi-me jamais fazer isso novamente. Já experimentei banho gelado, banho quente e não tomar banho. Tentei Charlie Parker, B.B.King, Queens Of The Stone Age, coisas que pareciam ter um efeito alucinógeno, que talvez fizessem a segunda parecer mais digerível mais domingo. Sem acordo. Nada vence a segunda-feira. Hoje mesmo sei que cheguei até o trabalho, mas juro que ainda a pouco estava tentando me lembrar como foi que cheguei até o trabalho. Será que foi de ônibus? O foi de carona? Ou será que peguei o ônibus depois consegui uma carona? É tão difícil.
Culpa inegável da segunda. Um dia anormal, e por mais difícil que possa ser, continuo acreditando que eu sou um cara normal e que a segunda deveria ser excluída do calendário mundial.
Um dia de reflexão. Quantas cervejas eu tomei? Será que eu entendi direito a ultima pagina do livro? E aquele gol, foi ou não foi irregular? Hoje é segunda ou domingo? O Lula entende de economia? E de exportação? Importação? Resumindo. Todas os assuntos mais irrelevantes, e todos os mais coerentes deveriam ser discutidos neste dia, que seria chamado apenas de “o dia”.
As pessoas se despediriam no domingo dizendo: “Olha amanhã a gente discute melhor este assunto. Pode ser no café do fulano ou no bar de cicrano”. Estaria sendo estabelecida uma nova ordem nacional.
Perguntei para alguns colegas de setor o que eles achavam da segunda. Uma pergunta e duas respostas.
Uma merda. Braba. Uma merda. Braba. Uma merda. Braba. Uma merda. Braba. Uma merda. Braba.
Em todas as mesas do escritório um saquinho de sonrisal. A segunda faz por merecer tanto desprezo. É por essas e outras que hoje eu sai para almoçar e resolvi satirizar este dia fenomenal.
Comprei um adesivo e coloquei na minha cpu, isso foi depois da minha pesquisa de aceitação da segunda.
Não entendi bem, mas todos depois de lerem me chamaram de doido.
O adesivo dizia, “I (coraçãozinho) monday”.
Uma pérola da incoerência por apenas um real.

